Cinecartaz

José Miguel Costa

3 estrelas

A estreia de Michael Pearce no formato de longa-metragem não poderia ter sido mais auspiciosa, já que o seu filme "Besta" foi nomeado para uma série de prémios da indústria da sétima arte britânica.

Besta é uma mescla bem doseada de triller, suspense e romance (do tipo "amor venenoso"), que resulta num produto frio e opressivo, transversalmente atravessado por um clima de dúvida e ambiguidade incómoda (que incute uma constante - e enigmática - atmosfera de tragédia eminente a pairar)
A acção centra-se na solitária e conservadora ilha britânica de Jersey (dotada de uma beleza austera, excelentemente captada) e tem por base o romance entre uma enigmática e pouco popular jovem, enclausurada pela familia, e um alegado bad boy, sob o qual recaem as suspeitas da autoria de uma série de assassinatos por desvendar.
Mais do que pela narrativa (que, para além de não ser propriamente original, nunca chega a "explodir"), o filme tem interesse pelo foco dado às suas personagens "indomáveis" e de dificil dissecação (e não me refiro apenas ao casal maravilha, mas também a uma terceira "personagem"... a tensa Ilha).

Publicada a 17-04-2019 por José Miguel Costa