Cinecartaz

José Miguel Costa

2 estrelas

No inverno de 1996, algures numa escola abandonada em França, um heterogéneo grupo de 23 jovens bailarinos urbanos (recém recrutados) com as hormonas aos saltos, após o ensaio geral da coreografia que irá ser apresentada durante uma eventual digressão, tem direito a um momento relax surpresa (no próprio local) regado com sangria. Só que a bebida foi previamente condimentada com LSD, por alguém cujas motivações se desconhece, dando origem a uma bad trip colectiva.

"Sangria, loucura, morte", eis o mote da narrativa básica e vácua (que não avança para "lado nenhum") de "Clímax", o triller psicológico com o qual o "realizador choque" Gaspar Noé pretende voltar a incomodar (recorde-se que se trata do senhor que nos massacrou em "Irreversível" - com uma cena contínua de 20 minutos de um acto de violação de uma mulher - e excitou em "Love" com o seu "porno de autor"). Só que, desta vez, apenas consegue entediar! E não há sobreposição frenética de estímulos visuais (apesar dos pézinhos de dança filmados magistralmente) ou sonoros (com a música eletrónica da pior estirpe que se nos enfia por todos os poros) que lhe valha e impeça que a paciência se vá esgotando perante a perpétua sucessão monótona de “nulidades” gritadas e o comportamento zoombie dos meninos que vão cometendo actos violentos e selvagens avulsos (sem induzir no espectador a desejada adrenalina e/ou horror, já que "não convencem") num espaço claustrofóbico iluminado a néon (para tentar – em vão - tornar a "coisa" mais dark).

Grosso modo, não passa de uma obra frigida (independentemente do seu aparente fulgor) que jamais atinge o climax.

Publicada a 13-02-2019 por José Miguel Costa