Cinecartaz

José Miguel Costa

2 estrelas

O realizador iraniano Asghar Farhard, vá-se lá a saber porquê, decidiu explorar a língua de Cervantes (e não se poupou a despesas, fazendo-se rodear de três falantes "pesos pesados" - o casal maravilha Javier Bardem/Penélope Cruz e o argentino Ricardo Darín). No entanto, a empreitada não lhe correu de feição, resultando em "Todos Sabem" (que gira em torno do rapto de uma adolescente, ocorrido durante os festejos de um casamento numa região vinhateira de Espanha), um convencional e (muito) previsivel triller psicológico (que leva uma eternidade a "arrancar", tal é o deslumbre em exibir-nos "fotografias bonitinhas" de toda a "envolvência") com uns sombreados de melodrama clichê, quase mediocre se comparado com a sua cinematografia precedente.

Retirando-se o facto da narrativa ter por base um segredo familiar que vai sendo desenrolado amiúde (embora, neste caso - e ao contrário do que se verifica nas suas anteriores películas -, sem elaborados mecanismos psicológicos interpessoais), não existem quaisquer vestigios de ADN que o liguem aos magníficos "Uma Separação" (2011), "O Passado" (2013) e "O Vendedor" (2016), como se num ápice Asghar Farhhadi tivesse perdido toda a sua identidade (e, por arrasto, o exotismo e o modo inteligente de criticar os costumes/politicas vigentes no mundo árabe).

Publicada a 18-02-2019 por José Miguel Costa