Cinecartaz

José Miguel Costa

4 estrelas

Christian Petzold, o realizador do magnifico “Phoenix" (2014), está de volta com “Em Trânsito”, um drama romântico existencialista que, apesar de possuir o mesmo glamour clássico (e “quelque chose de film noir") da obra precedente, fica uns furos abaixo.

Trata-se de uma espécie de “filme de época em tempos modernos" (que mistura passado e presente), ou seja, a sua narrativa tem por base uma história “kafkiana” ocorrida durante a segunda guerra mundial (que versa sobre os desamores e os desencontros de um “casal não concretizado" de judeus – envolvido numa mentira inicialmente não intencional - que tenta a todo o custo fugir para a América), mas a acção decorre no presente em Marselha (“estratagema” utilizado para equiparar a sua situação àquela que é vivenciada actualmente pelos migrantes que tentam entrar na Europa). E a ideia em si até pode ser considerada interessante/original, todavia, na realidade acaba por não resultar, soando algo forçada/”postiça”.
Independentemente disso, Petzold continua a filmar (com) poesia (daquela de “estirpe melancólica” até ao tutano) só que, desta vez, não deslumbra, “apenas” encanta (com um certo piscar de olho ao clássico “Casa Blanca”).

Publicada a 29-01-2019 por José Miguel Costa