Cinecartaz

José Miguel Costa

3 estrelas

Rapaziada corram para o cinema mais próximo, já aí está o filme fofinho da corrida aos óscares, "Green Book: Um Guia Para a Vida" do improvável Peter Farrely, destinado a ser amado (e ainda bem, na medida em que, mais que não seja, é uma obra algo humanista, bem intencionada, com enfoque no racismo - em tom agridoce, claro, para não ferir em excesso as susceptibilidades de determinado "tipo de público").

Trata-se de uma comédia dramática "feel good", clichê, previsivel e hiper romantizada (apesar de basear-se em factos reais) que, mesmo assim, tem a capacidade de emocionar o mais cinico dos espectadores com o modo como veicula a sua mensagem de apelo à tolerância e ao convivio interracial. Quiçá, devido ao eficaz/simples argumento "desenhado a régua e esquadro" (que entrelaça, de modo inteligente, melodrama e humor, em doses q.b., no seio de "um ecrã cheio de cor") e, sem quaisquer dúvidas, devido às poderosas performances de Viggo Mortensen e Mahershala Ali (sem eles esta pelicula "não seria nada"!).

O filme é uma espécie de "road movie" em tom clássico (pelos estados racistas do sul dos E.U.A. nos tempos de sua "alteza" Kenedy) que recorre à banal estrutura narrativa dos "buddy movies" para relatar-nos o processo de aproximação emocional, ocorrida durante uma tournée de 2 meses, entre o famoso pianista afro-americano Donald Shirley (que, felizmente, não surge transvestido como o "coitadinho" carregado de virtudes) e o seu preconceituoso motorista ítalo-americano.
Grosso modo, e fazendo uso de uma metáfora brejeira, "Green Book" é como uma daquelas pessoas que, vá-se lá a perceber porquê, acabam por fazer um "vistão" vestidas com roupas de má qualidade compradas na feira do relógio.

Publicada a 29-01-2019 por José Miguel Costa