Cinecartaz

Paulo B.

Memórias da infância

Se o cinema é memória, este filme é uma viagem pelas memórias do realizador Alfonso Cuarón, nascido na cidade do México, em 1961.
O enredo decorre nesta cidade em 1970/ 1971. A casa abastada e os seus empregados de origem indígena, as crianças que deambulam pela casa fazendo as suas birras, o casal burguês. Veio-me à memória um outro filme, a curta-metragem de Miguel Gomes, “Inventário de Natal”. Embora muito diferentes um do outro na temática e na imagem, a reconstituição que ambos fazem de uma parte da sua infância e adolescência, que por acaso também coincide cronologicamente com a minha, é soberba. Afinal a infância não difere muito em diferentes partes do mundo. Só por isto vale a pena ver o filme, mas não só.
O realizador convoca eventos ocorridos na cidade do México em 1971 e envolve-os com muita mestria nos episódios das personagens, criando momentos de maior tensão. O filme agarra os espetadores e comove-os, em alguns casos até às lágrimas, porque não? até ao epílogo redentor.
Em termos estéticos, a fotografia a preto-e-branco, a parte sonora e a reconstituição rigorosa dos décors da época, resultam muito bem.
Gostei muito.

Publicada a 21-12-2018 por Paulo B.