Cinecartaz

Paulo B.

Síndrome de Estocolmo

Há uma série de paradoxos, resultantes da relação assimétrica entre as principais personagens, que questionam e intrigam o espetador sobre os limites humanos, pouco claros, entre a opressão e o medo, por um lado, a lealdade e a afeição, por outro – uma espécie de síndrome de Estocolmo que se vai desenrolando em grande parte do filme. As fronteiras do comportamento e da mente humana são muito esbatidas, os criminosos nem sempre são o que parecem. São vários os dilemas que deixam o espetador perplexo e indeciso quando confrontado com a atuação de Marcello, o tratador de cães. Por estas razões de ordem psicológica e humana, considero um filme interessante e perturbador. Apesar de tudo e de tudo ser possível na natureza humana, certas cenas parecem-me algo inverosímeis, fazendo com que o filme perca alguma força. É interessante o contraponto, sempre presente, entre o homem - animal racional - e os cães – animais irracionais e personagens secundárias - levantando outra questão para reflexão: qual das espécies é a mais “animalesca”?

Publicada a 29-12-2018 por Paulo B.