Cinecartaz

José Miguel Costa

4 estrelas

A polivalente realizadora francesa Claire Denis na sua primeira aventura cinéfila em lingua inglesa (na qual se faz acompanhar pela diva Juliette Binoche e pelo cada vez mais indie Robert Pattinson) decidiu brindar-nos com uma obra de ficção cientifica, "High Life".
É um atipico filme de autor (um verdadeiro OVNI), com pretensões pseudo-Kubrickianas, destituido do aparato de efeitos especiais que, por norma, caracterizam este género cinematográfico (inclusive, não poucas vezes, chega a soar algo tosco - o que, inadvertidamente, até lhe imprime um certo glamour decadente a nivel estético).

Somos transportados para o interior de uma nave claustrofóbica inundada de penumbra (que mais parece um caixão em pleno processo de decomposição), algures à deriva no espaco sideral com destino a "lado nenhum", para acompanhar a rotina (quase zombie) de um jovem pai e da sua pequena bebé. Da restante tripulação apenas restam "destroços" e fragmentos das suas histórias (que vão sendo introduzidas, de um modo não linear, através flashbacks fragmentados e desconexos).
Grosso modo, é uma película dotada de um ritmo lento e povoada por silêncio(s), com uma narrativa pontuada por algumas incongruências, seca, opaca e ultra-depressiva. Todavia, apesar de tudo isso (e sobretudo por tudo isso), torna-se estranhamente enigmática e apelativamente sedutora, acabando por arrastar-nos consigo em direcção ao "buraco negro".

Publicada a 19-06-2019 por José Miguel Costa