Cinecartaz

MMoreira

Um livro que é contado (ao telefone)

Um dos melhores últimos filmes. Uma espécie de livro que é contado... (ao telefone), em que o espectador cria as suas próprias personagens, inventando os cenários e a luz das cenas que se passam em segundo plano. É um bom retrato social da actualidade - uma crítica ao principal modo de comunicação da sociedade - o virtual e a virtualidade, que podem levar muitas vezes a falsas interpretações e mal-entendidos ou às interpretações que naquele momento dão jeito ao interlocutor.
Um filme que poderia ser entediante pela monotonia do que poderia ser filmar o personagem principal sentado a uma secretária, num gabinete cinzento e com luz artificial e ao telefone durante cerca de 2 horas... mas cuja qualidade e diversidade de planos e sobretudo a gradação de luz, vão mantendo a atenção do espectador e afunilando a estória para o final.
É uma estória em discurso directo... Mas que ao mesmo tempo conta varias outras - umas do presente e outras de passados recentes e deixa em aberto os vários futuros desfechos (mais ou menos previsíveis) para o espectador completar.
Um exercício que poderia ser mais estranho para o espectador se fosse um filme de há duas décadas, m que a tecnologia e a virtualidade das comunicações ainda não estavam enraizadas nos hábitos sociais... Mas que agora é perfeitamente "absorvível".

Publicada a 20-01-2019 por MMoreira