Cinecartaz

José Miguel Costa

4 estrelas

O filme “O Culpado” (primeira obra do jovem realizador sueco Gustav Möller - com apenas 31 anos) é um austero triller psicológico mininimalista/quase claustrofóbico (“cingindo-se” a um único actor, uma exígua sala de um call center da policia e um telefone) e de intensidade gradativa (a tragédia e as dúvidas vão-se desenhando na nossa imaginação, em “câmara lenta”, à medida que flui a comunicação telefónica entre um policia e uma alegada vitima de rapto que solicitou ajuda).

Trata-se de um objecto electrizante com um argumento que, apesar de simples, vai jogando, de um modo bastante engenhoso (fugindo com eficácia ao tédio/monotonia que poderia afectar um produto com estas características de aparente “linearidade”) com as informações que vão sendo lançadas amiúde (tanto no que respeita ao desenrolar da acção no “lado de lá da linha” quanto ao “descascar” da personalidade/comportamento do polícia de serviço – ele próprio “a contas com a justiça”).

Como é obvio, tudo isto resulta graças à tremenda interpretação do dinamarquês Jakob Cedergren (cujas expressões faciais são captadas com mestria através de longos planos fechados) e uma inteligente montagem de imagem e som/luz (que nos incute toda uma série de personagens e actos que jamais visualizamos).

Publicada a 30-01-2019 por José Miguel Costa