Cinecartaz

Marcelo Alves

Ethan Hunt cada vez melhor

Toda franquia tem seus altos e baixos. Uns filmes muito bons, outros ruins, outros mais ou menos. Mas Tom Cruise tem-nos brindado com uma sequência de missões impossíveis cada vez melhor que a outra.

De fato, não existe mistério para criar os filmes da série. É uma receita de bolo matadora que mistura cenas absurdas, reviravoltas no roteiro, traições, uma história simples explicada logo de cara (quase sempre o mocinho tem que impedir o vilão em sua tentativa de dominar ou destruir o mundo), algumas surpresas e Tom Cruise desafiando a morte.

E a cada filme seu Ethan Hunt parece passar do limite. É assim que queremos. É assim que gostamos.

O grande mistério mesmo de “Missão Impossível” é como o ator de 56 anos têm fôlego e disposição para fazer tanto exercício! Em “Efeito Fallout”, Tom Cruise corre DESEMBESTADAMENTE por Londres com direito a saltos entre telhados, protagoniza uma impressionante cena de perseguição nas ruas de Paris, pilota um helicóptero e sofre um acidente que mataria qualquer um na Caxemira. E ainda briga com o Superman! Tudo isso tendo que escalar uma montanha no final para salvar um terço do planeta. China, Índia e Paquistão agradecem a dedicação.

Não é à toa que o Luther (Ving Rhames) diz: “esse é o meu cara!”. Se tivesse conhecido Ethan antes do Lula seria para ele que Obama diria: “Você é o cara”.

“Efeito Fallout” é aquela história de espião clássica Hunt style. Tem um traíra na agência, tem que achar um terrorista, tem que impedir que bombas de plutônio dizimem a humanidade. No meio disso tudo, tem o Sindicato, um grupo de terroristas que anda desmobilizado desde a prisão de Solomon Lane (Sean Harris).

A situação em Washington também não está muito boa. O IMF é questionado depois que Ethan deixa escapar as ogivas de plutônio para salvar seus amigos Luther e Benji (Simon Pegg). Por conta disso, a CIA resolve botar o pau na mesa e dizer que “agora é do meu jeito”. Assim, eles recrutam o agente bigodudo August Walker (Henry Cavill) para ser a sombra de Hunt e agir de uma forma mais assertiva na missão.

A partir daí a trama se desenvolve naquele clima de todo mundo desconfia de todo mundo. Ainda mais depois que a Ilsa Faust (Rebecca Ferguson) surge cheia de mistérios dizendo que não pode contar nada, não pode dizer nada. “Mas confia em mim.” Ilsa, esse é um mundo de espiões. Não se confia nem na sombra.

“Missão Impossível: efeito Fallout” é diversão garantida e mantém bem viva a franquia de Ethan Hunt. Resta saber até quando Tom Cruise vai aguentar se arriscar em cenas cada vez mais surreais. Ainda mais porque a cada filme parece ser preciso estabelecer novos limites. Ou manter os anteriores.

Mas enquanto o sétimo filme não vem (é não tenho dúvidas de que ele virá), aguardarei o que Tom Cruise pretende aprovar para o retorno de “Top Gun”, projeto com previsão de lançamento em 2019, 33 anos depois do filme que o ajudou a se tornar uma estrela.

Nota 8,5.

Publicada a 16-08-2018 por Marcelo Alves