Cinecartaz

JOSÉ MIGUEL COSTA

2 estrelas

Tonya Harding, a famosa patinadora artística dos anos 90 do século XX (envolvida num dos maiores escândalos da História do desporto, acusada por agressão à sua maior rival) que os americanos "adoraram odiar" (quiçá, apenas por não gostarem da imagem reflectida no seu espelho, afinal ela personifica a verdadeira América rude do "vale tudo para alcançar o big dream"), é-nos apresentada pelo realizador Craig Gillespie, na tragicomédia "Eu, Tonya", através de uma espécie de biografia satírica e caricatural (que recorre a uma narrativa que intercala o falso documentário - uma série de entrevistas ficcionadas - com eventos da infância e juventude da dita cuja).

No entanto, para ter piadinha usa e abusa com tal exagero do kitsch e humor grotesco que ultrapassa a barreira do pindérico, de modo que nem a tão badalada interpretação da Margot Robbie (igualmente, demasiado espalhafatosa) consegue salvar esta película que de tanto pretender fugir à tradicional linguagem cinematográfica das obras de cariz biográfico acaba por ser vítima (quase mortal) da própria (tentativa de) originalidade.

Publicada a 24-02-2018 por JOSÉ MIGUEL COSTA