Cinecartaz

José Miguel Costa

3 estrelas

O filme "A Morte do Estaline" (uma sátira negra e burlesca - alegadamente baseada em alguns factos reais - sobre os dias que antecederam o falecimento daquele que nos é apresentado como um sanguinário ditador louco e a crise de sucessão que se gerou no imediato no comité central), do escocês Armando Lannucci, poderá até ser genial (não tenho pudor em admiti-lo - e bastar-lhe-á o facto de ter sido proibido na Rússia para que se lhe reconheça relevância), todavia confesso que "não me caiu em graça por aí além". Possivelmente, mea culpa, que não nutro especial apreço pelo género de comédia que aposta quase exclusivamente na "fantochização" dos seus personagens (fazendo lembrar, não poucas vezes, o inenarrável Mr Bean quando, por certo, augura ser um visto como um produto caricatural político próximo dos Monty Python).
Acresce que fiquei com a sensação de estar perante um único sketch humorístico (que inicialmente tem piada e relevância narrativa) que é repetido até à exaustão de todas as "maneiras e feitios".

Apesar destas reticências, não me admirarei se daqui a uns tempos vier a elogiar esta película (e quiçá, inclusive, considerá-la um dos acontecimentos cinematográficos do ano - ok, já sei que denoto uma manifesta instabilidade psiquiátrica), pois desconfio que "é uma daquelas" que necessita de tempo para maturar no nosso cérebro (um pouco à semelhança do mencionado pelo Fernando Pessoa a propósito da Coca-Cola, " primeiro estranha-se, depois entranha-se" ... ou não!).

Publicada a 30-04-2018 por José Miguel Costa