Cinecartaz

Fernando Oliveira

Sete irmãs

Uma distopia terrível sobre o futuro do planeta. O excesso de população obriga a intervenções genéticas na produção dos alimentos para que seja possível alimentar toda a gente; como consequência o sistema reprodutivo das mulheres sofre uma mutação: quase todos os partos são múltiplos. Para evitar um maior aumento da população é imposta uma politica rigorosa de “uma família, um filho”; os gémeos são criogenizados para serem acordados num futuro em que a Terra tivesse a capacidade para os receber.
Uma mãe morre ao parir sete raparigas numa clínica clandestina. O avô das crianças idealiza uma rotina para que todas possam sobreviver. Baptiza-as com o nome dos dias da semana, e cada uma sai à rua no dia do seu nome. Todas são assim apenas uma. Durante trinta anos quase tudo corre bem, até que Monday não regressa a casa no fim do dia…
Há uma convincente encenação daquela sociedade totalitária, opressiva de uma forma assustadora, fascista, tecnológica mas em ruínas. Noomi Rapace sai-se muito bem a interpretar sete personagens diferentes, que os efeitos visuais conseguem simultaneamente fazer coexistir na mesma cena de forma verosímil. Parece-me haver alguns lapsos na narração, e o realizador não tem obviamente “unhas para tocar esta guitarra”, mas o filme consegue ser bastante interessante. Até porque não esconde a violência tremenda, o medo e a horrível verdade; não esconde o sangue e o sexo; e se podemos considerar um final feliz, é um final com muitos pontos de interrogação.
(em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot.pt")

Publicada a 02-04-2021 por Fernando Oliveira