Cinecartaz

Aida Maria Manata

Memorável

Por revisitar um período pouco honroso da nossa história e que ainda permanece obscuro;
pela grandeza de imagem, realidade vista à lupa das operações do teatro de guerra;
por ser a preto e branco, empresta-lhe a dramaturgia à acção e ao tempo;
pelas fragilidades humanas expostas numa narrativa sublime ao longo do filme, pela leitura das cartas no outro eu, pela dolência com que os personagens se movem, olham e interrogam-se entre si;
pela cumplicidade comportamental, pela consciência de quem está ali para cumprir obrigação mas não missão, com opções políticas discordantes;
pelo confronto com a sobrevivência numa realidade que não escolhe o que está a viver.
Numa palavra: esmagador.

Publicada a 09-09-2016 por Aida Maria Manata