Cinecartaz

Luís

O que sabem os críticos II ou Manifesto de um ignorante

Pois certamente saberão muito mais do que eu que, ignorante, gostei do filme. E gostei porque, apesar de o episódio ser ficcionado (J. Peary nunca ficou abandonada no Ártico com uma esquimó), serve-se da biografia da exploradora (e mulher do Explorador/Conquistador) para abordar a condição feminina. Que a mesma esteja situada num contexto histórico e num cenário (paisagem ártica) envolvente (e, a espaços, opressivo) é para nós, espectadores, objecto de prazer. Que se tenha optado pelo carácter épico de uma aventura e da luta pela sobrevivência em condições inclementes para ilustrar as fragilidades e forças de duas heroínas de “carne e osso” é, na minha opinião, engenhoso e de “bom gosto”. Procurando “ajudar” J. Mourinha a “perceber aquilo que interessou a realizadora e a actriz” no que denomina de melodrama, diria que foi o papel da mulher e a opção de afirmar a sua feminilidade/humanidade sem ficar à sombra de um apêndice masculino. Admito que seja uma heroína (com a sua luta) algo atípica, mas acho que na neve há mais do que Inarritu`s e di Caprio`s.

Publicada a 20-05-2016 por Luís