Cinecartaz

JOSÉ MIGUEL COSTA

3 estrelas

Com o filme de época "Uma História de Amor e Trevas" (cuja acção decorre na década dos anos 40 do século XX, aquando da formação do Estado de Israel) a Natalie Portman estreia-se na realização (e deixa desde já neste seu novo papel alguns sinais positivos para o futuro) e na escrita de argumentos, sem abdicar de dar o ar da sua graça enquanto actriz (onde verdadeiramente brilha). Baseando-se no livro biográfico do famoso escritor e activista Amos Oz, foca-se exclusivamente no infância deste e na influência que a sua mãe depressiva (interpretada pela própria) teve na sua vida.

É um filme doce com um certo travo amargo, cujo interesse reside (apenas) nalguns (bons) "momentos", nomeadamente, ao nível de certos planos belíssimos (dotados de uma enorme sensibilidade e lirismo) e de uma fotografia apelativa ... e claro, da actuação delicada e cativante de Portman. De facto, apesar de ter entre mãos uma história poderosa, a narrativa revela-se demasiado linear, pouco fluida e algo superficial, disparando para vários lados sem incutir profundidade às diversas temáticas abordadas, sobretudo por limitar-se a arranhar ao de leve a(s) complexidade(s) do conflito que opõe Israel-Palestina, que tanta influência tiveram na formação da personalidade de Oz.

Publicada a 20-03-2016 por JOSÉ MIGUEL COSTA