Cinecartaz

Pedro Ribeiro

A corrida desenfreada ao óscar

Depois de ter chegado ao Óscar de melhor filme no ano passado com "Birdman", Alejandro G. Iñárritu apresenta uma nova obra que, por sinal, não é nada mais nada menos que uma tentativa de chegar novamente à estatueta dourada.
O realizador mexicano apresenta uma capacidade de filmagem anormal, é certo, mas "O Renascido" não passa disso. Um filme monótono, que se torna dependente dos papeis de Di Caprio e Tom Hardy. Chamativo mas que acaba por desvanecer na sua própria longevidade.
A peça até começa bem, dando-nos a entender, desde logo, as diferenças ideológicas da personagem principal, Hugh Glass (Di Caprio) e John Fitzgerald (Tom Hardy), no entanto, a partir desse ponto, esta não passa do monótono e de amostras de técnicas de sobrevivência. Passa a ser um filme comprometido com a academia, que prova, mais uma vez, que quanto maior o compromisso, pior o resultado.
Di Caprio merece o Óscar? Talvez seja melhor entregar-lhe desta vez. Tom Hardy, por sua vez, parece que terá grandes possibilidades de o levar para casa (não descartando Stallone com o papel em "Creed").
Se este filme não é um ataque ao Óscar, então não serverá de quase nada para a indústria da sétima arte. Se assistirmos a uma esmagadora vitória de "O Renascido" será, com toda a certeza, por falta de concorrência, ou então sinónimo de um ano muito fraquinho em termos cinematográficos.

Publicada a 19-02-2016 por Pedro Ribeiro