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João Delicado

Quanto vale uma vida humana?

Quanto vale uma vida humana? Quanto somos capazes de fazer para salvar alguém de morrer? No filme 'Marte', agora em exibição, apresenta-se a história de Mark Watney, um astronauta americano que, por acidente, fica para trás, sozinho - e, por isso, condenado a sobreviver na ténue esperança de que o salvem numa futura missão espacial. O que o filme nos conta é do quanto vale aquela vida: e vale o sacrifício dos companheiros de missão, que arriscam as próprias vidas para voltar para trás; vale milhões e milhões gastos na operação de resgate; vale o envolvimento de todo o planeta, que acompanha, emocionado, o progresso da missão.

De volta à realidade, saio do cinema e é de noite: a cidade está tranquila. O camião do lixo que passa faz-me rir porque faz lembrar o veículo usado pelo astronauta em Marte. E volta a pergunta: quanto vale uma vida humana? Enquanto caminho pela rua, de regresso a casa, enquanto a cidade dorme, há quem continue a arriscar a vida no mediterrâneo - e, agora também, no frio do inverno europeu. Será que o facto de serem milhares, centenas de milhares, e até milhões, reduz o valor das suas vidas? Onde deixámos o olhar personalizado, humanista, que nos impele a agir? Esgotamo-lo na ficção, nas séries, nas telenovelas, nas tricas políticas, nas quezílias futebolísticas? Alguém dizia: "tenho medo de que esteja a acontecer um novo Holocausto e nós andemos distraídos". Também eu.

Publicada a 31-10-2015 por João Delicado