Cinecartaz

Nelson Faria

A vida é dura

Quem leu no "Público" as crónicas de Alexandra Lucas Coelho, em 2010, acerca de Cidade Juarez, sabe do que este filme trata. Villeneuve trata de um caso entre muitos casos, intercecção da ficção com a realidade. Na fronteira do Texas/EUA com o México/Cidade Juarez. Vamos ao mapa e ficamos a saber o caminho que a droga percorre da Colômbia até aqui.

A jovem e inexperiente Kate (Emily Blunt) vai começar a conhecer o que é a vida. No mercy. Sem piedade. A crueldade serve-se num prato frio. Como a vingança.

Cena do filme de antologia: o chefe do cartel prova do seu próprio veneno à mesa, ao jantar, conjuntamente com a sua família.

Um filme muito bem realizado, com actores seguros e que informa da atrocidade, nos tempos actuais, que correm em diversos pontos do planeta.

A chamada "acção" é racional: o centróide do filme está nos actores. No mercenário de Benicio del Toro - um "técnico" que trabalha para quem lhe paga, quer sejam as autoridades americanas quer sejam os próprios cartéis da droga -, que interioza e exterioza uma vingança e um drama familiar; e, também, na jovem à procura do seu lugar profissional de Emily Blunt.

4 estrelas.

Publicada a 19-10-2015 por Nelson Faria