A história central é essa, e isto não é uma característica da cultura dos EUA, existem observações destas em todo o mundo. Carel está excelente, ocupa o espaço e tempo da câmara e, de facto, faz-nos perceber e conhecer uma personalidade que, aos olhos do espectador evidencia imediatamente uma psicose associada à insegurança de não conseguir ser quem deseja, mas é-o dependendo do poder que o dinheiro e nome de família lhe atribuem. É desesperante observar a influência que du Pont é capaz de disferir nos que o rodeiam e naqueles que ele quer à sua volta, sem os mesmos perceberem a adulação e sobrevalorização que faz de si próprio, com excepção de um Dave Schultz.
Miller conseguiu transmitir aos seus actores e espectadores a forma subtil, mas violenta, de invadir e carcerar a liberdade dos outros em proveito próprio. Este é um filme de personalidades e, nele, vemos quatro tipos (não esquecer a matriarca), todas elas comuns na sociedade global. Enalteço Mark Ruffalo pelo trabalho de grande actor que demonstra neste filme, reúne um nível de concentração invulgar e um poder de distanciamento das outras personagens que no plateau é muito difícil de concretizar quando estamos perante os protagonistas da história.