Cinecartaz

JOSÉ MIGUEL COSTA

3 estrelas

"Foxcatcher" é, felizmente, muito mais que um filme sobre uma modalidade desportiva, a luta livre. De facto, este desporto serve apenas de pano de fundo para um drama psicológico, baseado numa história verídica, que envolve três personagens base (um megalómano e desequilibrado multimilionário ultraconservador descontente com o país que perdeu os valores morais, filantropo com o objectivo único de alimentar o seu ego e disfarçar a sua baixa auto-estima, que decide apostar na criação de uma equipa de topo para concorrer aos Jogos Olímpicos de Seul; e dois irmãos - um deles em processo de decadência e com complexos de inferioridade em relação ao empreendedorismo e carisma do primogénito -, ambos medalhados em anteriores olimpíadas, que são contratados pelo "benfeitor" com a missão de obterem medalhas de ouro para a sua equipa) e que nos mostra como uma mente desestruturada pode implicar o "desmoronamento" de todos aqueles que se encontram em seu redor (tanto mais se se tratar de alguém com grande disponibilidade financeira).

O valor desta obra decorre sobretudo da interpretação dos 3 actores que lhe dão corpo e "alma" (nomeadamente o Steve Carell, que nem sequer reconheci, até ler o seu nome nos créditos finais), bem como no(s) complexo(s) jogo(s) psicológico(s) que ocorrem entre si (que impedem que descortinemos os seus personagens em toda a sua complexidade, mantendo-se sempre numa espécie zona cinzenta - sentimos que há algo não dito, ou a sê-lo foi de um modo subliminar), e não tanto da narrativa que não é detentora de grandes reviravoltas/variações (a não ser no big end - isto para quem, como eu, desconhecesse este episódio que foi muito mediatizado à época).

Publicada a 05-01-2015 por JOSÉ MIGUEL COSTA