Cinecartaz

Fernando Oliveira

Bando de raparigas

O que Céline Sciamma encena aqui em “Bando de raparigas” é um movimento de revolta de uma rapariga para se libertar da "prisão" social em que habita; um movimento de subversão contra um futuro fechado pela sua condição de mulher, de negra e de habitante de subúrbio pobre de Montreuil, na região de Paris.
Quando Marieme (magnifica Karidja Touré), várias vezes repetente, é impelida a seguir a escola profissional (?), junta-se a grupo de raparigas que parecem viver em constante diversão. Nesta nova vida a jovem, agora Vic, vai ganhando uma determinação inabalável, mesmo insolente, pelo direito de escolher ser o que quiser ser, transforma-se. O que é espantoso no filme é a forma como Sciamma filma essa “vontade de viver” a explodir do corpo delas, como a sua feminilidade se apodera das coisas à sua volta, como na dança ao som de “Diamonds” de Rihanna no quarto de hotel.
E é muito bonita a forma como Sciamma se despede de Marieme, sem nada nem ninguém, ela chora, há o horizonte que se esbate, e nesse esbatimento a jovem inicia um movimento de força, de vontade de viver. Marieme sempre teve a força para enfrentar o mundo.
Um filme triste, mas muito belo.
(em "oceuoinfernoeodesejo.blogspot.pt")

Publicada a 24-06-2020 por Fernando Oliveira