Cinecartaz

Cerveira Pinto

Jasmine e o vazio da aparência

Um dos melhores filmes de Woody Allen desde há alguns anos a esta parte é, curiosamente, não uma comédia, mas um drama. Uma história que é um retrato da superficialidade, do consumismo, da futilidade do “modus vivendi” dos tempos modernos, no qual podemos ver a imagem dos mecanismos que levaram à actual crise económica e social. A falta de valores e de princípios, de pessoas que não olham a meios para atingir os seus fins passa também pela cumplicidade de pessoas como Jasmine que prefere voltar a cara para o lado e fingir que não vê a enfrentar a situação e correr o risco de perder os bens materiais a que se habituou. Nem quando tudo se desmorona Jasmine toma consciência do vazio que é a sua existência, pois que não possui os mecanismos que a ligam às pessoas que a rodeiam, e ao mundo, caindo na psicose e no delírio. Toda esta carga de falsidade, de um universo de aparência opulento mas absolutamente estéril e vazio é magistralmente encarnada na personagem de Jasmine Francis, aliás Juliette (pois que até o seu próprio nome não é o verdadeiro), na interpretação brilhante de Cate Blanchet a dar corpo a um filme notável que é um retrato do mundo em que vivemos.

Publicada a 18-11-2013 por Cerveira Pinto