Cinecartaz

David Bernardino

Excelente personagem no filme errado

Um condenado por conspiração contra os Estados Unidos é enviado para uma prisão de alta segurança no espaço onde todos os prisioneiros se soltaram para salvar a filha do Presidente.
Tal como muitos outros, "Lockout" é um filme que não pode, nem pretende, ser levado a sério. No entanto isso não é desculpa para tudo, pois há filmes que conseguem assumir essa condição e outros que não. Quando se compara por exemplo "Crank - Veneno no Sangue" a "Lockout", o primeiro claramente ganha vantagem, pois pretende ser ridículo e fá-lo com estilo e consistência. No que toca a "Lockout" é simplesmente demasiado irreal para sorrir de todas as vezes que algo de absurdo acontece. O CGI está muito fraco e por vezes cai no ridículo, atingindo o ponto mais gravoso quando vemos duas pessoas a cair com fato de astronauta para a terra, atravessar a atmosfera, tirar o fato, abrir um pára-quedas e aterrar no meio de Nova Iorque. É impossível não rir, mas também a ideia será essa. Talvez o problema de "Lockout" seja pensar que é mais divertido do que é na realidade.
É preciso admitir que o filme tem um grande ponto forte, e que é Guy Pearce e a sua personagem. Não haverá dúvidas que Guy Pearce é um excelente actor e aqui a personagem de herói bad-guy assenta-lhe que nem uma luva, um pouco ao estilo de John Mclane em "Die Hard", mas ainda mais rude. Quando Guy Pearce está no ecrã o filme é excelente, as piadas que solta têm de facto piada e o estilo é contagiante. Infelizmente, boa parte do filme não conta com Guy Pearce no ecrã e é nessas alturas que as fragilidades de "Lockout" saltam à vista. Maggie Grace, a filha do presidente, dificilmente não consegue deixar de ser simplesmente irritante e até chegamos a querer que ela saia de cena para ver Guy Pearce a solo contra 600 prisioneiros. E o cast de vilões é também particularmente fraco...
Ainda assim não é um filme mau. É um filme divertido e que não custa ver, tem uma excelente personagem interpretada por Guy Pearce que infelizmente não encontrou o filme certo. Existem decerto coisas muito piores e, no fim, conseguiu aquilo que desejava: entreter o espectador, ainda que com algumas torcidelas de nariz. Com um melhor orçamento e uma melhor seleção de actores secundários a história seria, certamente, outra.

Critica originalmente publicada no blog Retroprojeccao

Publicada a 10-07-2012 por David Bernardino