Cinecartaz

Natália Costa

A Superação

Este tema será sempre actual: a perda dos entes queridos e a maneira de se lidar com essa inevitabilidade.
Antes de mais é de felicitar o excelente trabalho de todos os protagonistas, nomeadamente o extraordinário Thomas Horn e o discreto, mas fundamental Max von Sydow. É um filme que vive sobretudo das interpretações, no longo caminho de superação dum evento traumático, um dos momentos mais marcantes da história contemporânea ocidental: o 11 de Setembro de 2001, o dia em que tudo mudou.


As pessoas procuram respostas, procuram sentidos, porque 1 + 1 = 2; mas a vida não são equações e nem sempre há explicação para os acontecimentos com que somos confrontados.
A perda, a ausência é sempre dificil de superar. Aceitar essa irreversibilidade é, talvez, o grande segredo da vida.
Mas nesse processo de aceitação, nessa busca de saber como lidar com o tema, tentamos desesperadamente encontrar explicações, onde elas não existem. Tentamos encontrar uma lógica, uma razão, algo que nos demonstre o porquê das coisas serem como são. É uma busca que poderá nunca cessar.


"Ne cherche pas les "parce que" - en amour il n'y a pas de "parce que", de raison, d'explication, de solutions." Anais Nin


A vida é feita de pessoas que amamos, pessoas que nos rodeiam, pessoas que nos marcam, que nos ajudam a formar a nossa identidade. E, naturalmente, quando a vida nos arranca essas pessoas é dificil superar esse brusco acontecimento. Nessa busca de resposta vamos encontrando pequenas maneiras de lidar com o assunto. Nas palavras do protagonista, uma desilusão é melhor do que nada. Pelo menos tem-se uma resposta, uma fronteira, algo que nos marque o caminho e nos permita encerrar um assunto e prosseguir a longa caminhada, algo que nos dê um certo desprendimento em relação a tudo, porque só assim conseguiremos viver sem buscar incessantemente respostas e justificações que não existem.


"E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."
Miguel Sousa Tavares

Publicada a 07-03-2012 por Natália Costa