Cinecartaz

Jorge Neves

Niels Arden Oplev é dinamarquês e não sueco.

Olá a todos!

Em primeiro lugar queria só chamar à atenção para o facto de o realizador Niels Arden Oplev ser dinamarquês.
Niels em sueco, julgo que seria Nils - como aquele menino que sobrevoa a Suécia montado num ganso, o Nils Hogersson.

Em segundo lugar e quanto às dúvidas que as traduções [trilogia Milénio] têm suscitado, até mesmo no tradutor da Google (o qual não é de fiar a 100%), escrevendo «Os Homens que odeiam as mulheres» a tradução corresponde ao título original em sueco: «Män som hatar kvinnor».
Bom, na realidade, «som» traduz-se por «os quais» o que em nada altera o sentido da frase, pois tal como «que», trata-se apenas de usar ou um outro pronomes relativos - declinando «qual» em género e número obtém-se «os quais».

Em terceiro e último lugar, não sei se concordo plenamente com o factor criativo no processo de tradução de um idioma para outro. Ou melhor, concedo-lhe uma margem de uso alternativo.
Por exemplo: «small town Portugal» para definir «lá numa terrinha do interior português» pode ser intuitivamente muito abrangente de significado para um americano habituado a termos condensados. Já porém um britânico reteria o mesmo que o americano (digo eu) se se usasse a expressão «provincial town».

Conclusão: ainda que em prol do importante ser o passar da ideia de um idioma para o outro («raining cats and dogs=chuver a cântaros; a potes) não deixa de haver, pois, um risco de esvaziamento semântico, noutros casos - e isto se se recorrer sempre a expressões de uso genérico.

Veja-se pois «tripeiro» que em alemão está preso a «Portuenser» (habitante da cidade do Porto).
Concordo que cá, em Portugal também. Mas saberá um alemão que poderá ofender um cidadão da Invicta, se se referir a este(s) como tripeiros.
Um alemão (excepto os que conheçam bem as subtilezas da nossa língua), desconhecendo o sentido pejorativo da palavra «tripeiro» pensará tratar-se de uma tradução direta, do género: «garfo=Gabel».

Só porque na legendagem de um filme, o espetador não tem, talvez, tempo para interiorizar palavras, expressões, frases mais elaboradas, isso não significa que se «arredondem» conceitos por proximidade sintomas.
As cenas, os planos cinematográficos, os «travelling» corresponderão, em princípio, a carga textual descritiva. E, no entanto, como é que se passa para a película descrições de estados de espírito, paisagens mentais, enfim as impressões que o narrador tem do que vê e reproduz?
Concedo, por conseguinte, a «tal criação» mais aos argumentistas que aos tradutores - e estes últimos estão de parabéns pelo seu rigor no que concerne à trilogia Milénio.

Jorge Neves

Publicada a 29-01-2012 por Jorge Neves