Cinecartaz

Nazaré

Uma boa, mesmo boa, comédia

Esta fita foi muito bem escrita, e tudo o que deriva daí esteve ao nível. As marotices do Cupido com os membros da família Weaver e seus satélites acabam por traduzir-se na antítese das aventuras sexuais, para pôr em relevo a felicidade que há em conhecermos a "alma gémea".

Steve Carell (actor e co-produtor) é o chefe dessa família, cuja reacção ao pedido de divórcio da mulher (Julianne Moore) é a típica dum "tadinho" (wuss em Inglês). A raiva sai-lhe pelos olhos... em lágrimas! Quanto ao engatatão (Ryan Gosling) que resolve dar-lhe uns toques sobre como arranjar mulheres fáceis sem grandes dificuldades, vive a sua própria versão de infelicidade, continuação lógica dum lar onde faltava amor. Para ele, nenhuma das mulheres que ele leva para casa para uma noite de sexo pode ser a "alma gémea", simplesmente porque isso só acontece quando o homem é escolhido, não quando escolhe.

Finalmente, há a rapariga de 17 anos (Analeigh Tipton) que desperta para uma paixoneta pelo pai dos miúdos na vizinhança de quem ela vai regularmente tomar conta, e com quem os pais dela acabam de cortar relações. Tudo becos sem saída, onde aliás se encontram muitas outras personagens. O filme inclui uma cena de revelações que é deliciosa, mas apesar do final-feliz tem o requinte de não resolver tudo. E mais requinte ainda de o protagonista nunca tocar na sua mulher, a não ser em espírito. Há aqui muito bom gosto e sentido de equilíbrio, doses abundantes de bom humor - diga-se antes: muita classe, e logo num género que muitos consideram "menor".

Publicada a 11-10-2011 por Nazaré