Cinecartaz

Nazaré

O bailado como drama e tragédia

É uma típica história de auto-superação, mas não termina como é costume; é filme do género fantástico, com q.b. de "cortante", mas tudo não passa de efeitos algo supérfluos; mas... é uma magnífica visão do ballet, não só pela glorificação do movimento e do espírito que leva a uma grande interpretação, mas também pela maneira como nos mostra os problemas de auto-afirmação dos artistas, e a volubilidade do público. Isso sim, juntando as estupendas actuações de Natalie Portman e Vincent Cassel, faz desta fita, se não uma obra-prima, um espectáculo de primeira. Os movimentos da câmara, a visão que dão dos corpos, são fabulosos, e então a cena do Cisne Negro é um feito inolvidável, um cume absoluto de cinema - arte - drama - poesia (e dança!), uma revelação que dá a todo o filme o seu significado. Somos levados a perceber a coragem que é necessária para se chegar à verdade, mesmo que a verdade seja só um momento sublime. De facto, a protagonista, prisioneira do seu mundo cor-de-rosa, é desafiada a ser uma mulher à altura de exprimir o Cisne Negro, e neste papel trasnfigurador Natalie Portman tem um desafio ela própria, no qual, com a ajuda de Aronofsky e de Cassel, mergulha por inteiro. Magnífica experiência.

Publicada a 26-02-2011 por Nazaré