Cinecartaz

Fernando Costa

Blockbuster dramático com alma própria...

David Fincher regressa depois de “O Estranho Caso de Benjamin Button” e arrisca-se a passar de realizador de culto (título conseguido com os seus mais negros “Seven”, “Fight club”, “Zodiac” e mesmo “O Jogo” e “Sala de Pânico”) a realizador de “blockbusters dramáticos” de culto. Pela segunda vez Fincher pega num argumento do típico filme-produto de Hollywood e imprime-lhe uma marca própria; em “O Estranho Caso de Benjamin Button” a marca notava-se menos sendo esse filme um filme menor na obra de Fincher mas em “A Rede Social” Fincher está de volta ao nível que nos habituou. “A Rede Social” escrita por Aaron Sorkin (o mesmo argumentista de “Uma Questão de Honra”, “Jogos de Poder” e vários episódios da série “The West Wing”), baseado no livro de Ben Mezrich "The Accidental Billionaires" conta a história da criação do Facebook e a forma como este rapidamente se tornou num fenómeno mundial, tornou os seus criadores bilionários, bem como os envolveu em batalhas legais. O filme é constituído, à excepção do segmento inicial, em flash-backs contando-nos a história do Facebook à medida que os factos vão sendo discutidos durante as “batalhas legais”. Se “A Rede Social” tem um argumento suficientemente competente e “witty” em si próprio, é à maneira como David Fincher o filma que transforma o que poderia ser apenas um produto mediano de um grande estúdio de Hollywood em algo com alma própria, com sequências belissimamente filmadas e planificadas aliadas a uma banda sonora que ajuda a criar o certo tom para contar esta história. Mas “A Rede Social” não vale só pela realização e argumento não sendo possível ou justo não falar na interpretação de Jesse Eisenberg, que já tínhamos visto mais proeminente em “ Bem-vindos à Zombieland”, no papel do criador do Facebook Mark Zuckerberg. Pena é que ao contrário de Mark Zuckerberg a participação de Justin Timberland não é das mais bem conseguidas da carreira do cantor/actor mas nada que estrague em demasia. Em resumo não devem perder “A Rede Social” que, sem ser uma obra-prima, é um bom e seguríssimo filme no limiar de 4 estrelas. Vê-lo-emos na cerimónia dos Óscars? Um palpite: SIM. *** (3,5/5)

Publicada a 05-11-2010 por Fernando Costa