Cinecartaz

Fernando Costa

Líbano – A Guerra Vista De Dentro De Um Tanque

“Líbano”, do realizador/argumentista israelita Samuel Maoz, é um filme temporalmente situado em 1982 na altura da guerra Libano-Israelita, mas não é um filme sobre essa guerra em particular é um filme sobre guerra, seja ela qual for. Líbano, inicia e termina com a presença de um tanque militar no meio de uma plantação de girassóis como se de um elemento estranho, anti-natural e anti-ecológico se tratasse. É uma metáfora para a guerra. Líbano, manifesto fortemente anti-guerra, tem lugar exclusivamente no interior de um tanque militar israelita acompanhando os seus 4 ocupantes numa missão que corre mal. Desde a falta de preparação dos 4 protagonistas para a situação real do cenário e guerra, às diferenças entre a responsabilidade de dar a ordem para matar e a responsabilidade de executar a tarefa puxando o gatilho, o filme documenta as várias e diga-se típicas situações de conflito de um cenário de guerra. Está lá a habitual partilha de história masculina com os camaradas de guerra, estão lá a dificuldade e o conflito de gestão de hierarquia e está bem presente a responsabilidade dos homens que fazem parte do pelotão: a sua falha pode custar a vida a civis e a dos seus próprios camaradas. Perguntar-se-á então “Líbano” é uma espécie de lista de compra de conflitos de guerra (exteriores e interiores)? A resposta é não e sim. “Líbano” consegue apresentar as situações descritas acima de forma cinematográfica válida mas diga-se também que não trás nada de novo. Já discutimos isto tudo antes embora não num espaço tão confinado, onde tudo parece mais concentrado - e este é provavelmente o maior trunfo do filme. Adicionalmente o espaço fechado e de algum modo isolado é o que permite aos protagonistas discussões sobre a situação que de outro modo seriam impossíveis se estivessem integrados num pelotão. Ao mesmo tempo e sobretudo no inicio do filme a guerra parece acontecer lá fora e só quando pela incapacidade de um dos protagonistas em dispara a arma do tanque, um grupo de civis é morto é que os protagonistas estão efectivamente integrados no cenário de guerra. É claro que depois deste incidente a guerra lá de fora é transportada para o interior do tanque e para o interior de cada uma dos ocupantes do tanque, que desde o inicio nunca estão muito convictos do que estão a fazer e que só querem é ir para casa. Sucedem-se em grande plano (visto através da mira do tanque) representações do terror da guerra, uma mulher a quem mataram a família é morta aos nossos olhos e um condutor de um veículo fica amputado. Tudo isto é muito “in your face” para gerar a reacção necessária na audiência passando a mensagem anti-guerra. O filme torna-se então num exercício de estilo e em determinadas alturas é inclusivamente monótono. Fica-se com a sensação que se poderia dizer o mesmo em muito menos tempo. Um filme interessante mas longe de ser genial. A ver. **

Publicada a 13-05-2010 por Fernando Costa