Cinecartaz

Nazaré

Bué de efeitos especiais

O argumento tem coisas giras, com Keanu Reeves de regresso às rotinas à Johnny Mnemonic (e temos ocasião de ouvir o chinês dele), mas o que realmente se retém, e de maneira surpreendentemente eficaz, é a mensagem ecológica. Sim, porque a perspectiva de sermos castigados pelo nosso mau comportamento dispara emoções nada triviais. Mais subtil, e de grande interesse, é a personagem do miúdo como metáfora da humanidade. Desde o fedelho tipicamente "malcriado" que gosta de desafiar, numa expressão da sua revolta interior pela orfandade, ao seu gesto de abraçar a mãe adoptiva (Jennifer Connely), metáfora da Terra, assiste-se a um processo de conversão desencadeado na cena da ponte. Será a humanidade como um todo capaz de se converter? E há a frase “não é o vosso planeta”. Muito giro. Pode não ser uma obra-prima, pode descambar no catastrofismo de computador, mas merece respeito. E que o vivamos.

Publicada a 17-01-2009 por Nazaré