Cinecartaz

Nazaré

Divertimento sem ambição

Agora está bem aparente a intenção de "reinventar" a personagem James Bond, não só pela continuidade com o precedente da produção (“Casino Royale”), mas sobretudo pelo facto de haver um envolvimento emocional com as girls, não só a já desaparecida Vesper mas as duas (logo duas...) deste. Emoção que torna tão importante qualquer "quanto" de "consolo" (do título não traduzido). Que a vingança talvez traga? Não é Bond, é outra coisa. Mas a frase final deixa antever a possibilidade de voltar tudo à primeira forma. Com ou sem Daniel Craig, isso já é outra questão. De resto, ele é actor para dar muito mais do que lhe pedem, fora do terreno atlético. O vazio do argumento torna o filme algo cansativo, pois é apenas uma sucessão de peripécias espectaculares, a comparação com “Bourne Ultimatum” aplica-se bem, mas no pior que esse também teve. Há um tema de fundo que podia ser muito interessante (uma tentativa de apropriação de recursos naturais por uma organização criminosa) mas não é coisa que se possa desenvolver nos 007s: fica-se pelo tratamento que os scripts dos filmes pornográficos levam: é um mero pretexto. E a "acção" em Bond é o que já se sabe... Ver o argumentista Paul Haggis envolvido nisto não é o que se esperaria. O público talvez merecesse melhor. Talvez...

Publicada a 04-01-2009 por Nazaré