Cinecartaz

Gonçalo Sá - http://gonn1000.blogspot.com

Cães danados

Uma das obras cinematográficas mexicanas mais elogiadas dos últimos anos (juntamente com "E a Tua Mãe também", de Alfonso Cuarón, "Amor Cão" ("Amores Perros") assinala a estreia do cineasta Alejandro González Iñárritu (que entretanto já realizou também "21 Gramas", em 2004). Comparado a "Magnólia", de Paul Thomas Anderson, devido à sua estrutura (três histórias interligadas por um acontecimento comum) e a "Pulp Fiction", de Quentin Tarantino, uma vez que também possui cruas e viscerais cenas de violência, "Amor Cão" apresenta retratos de personagens do México actual, focando temas como o amor, a desigualdade social, a fama, os laços familiares, a criminalidade e, claro, as relações entre humanos e cães (elemento comum às três histórias apresentadas).

Apesar de algum desequilíbrio qualitativo nas três histórias (a segunda, sobre o declínio da fama de uma modelo, não oferece grandes cenas de antologia e é o episódio menos inspirado e criativo do conjunto), Iñárritu consegue injectar doses suficientes de energia e adrenalina na sua película, oferecendo uma sólida direcção de actores (destaque para Gael Garcia Bernal, o actor de "Má Educação", de Pedro Almodóvar, ou "Diários de Che Guevara", de Walter Salles), montagem dinâmica e muito eficaz, fotografia rude e intensa, soluções narrativas que rejeitam o lugar comum, ritmo constante e acelerado, forte energia visual e uma palpável atmosfera realista e urbana.

Premiado no Festival de Cannes e no Fantasporto em 2001, "Amor Cão" proporciona uma vibrante experiência cinematográfica e comprova a vitalidade do novo cinema mexicano, que tem originado boas surpresas recentemente.

Chamar-lhe obra-prima (como muitos apregoaram na altura da estreia) talvez seja um pouco exagerado, mas é uma muito promissora primeira obra. Classificação: 3/5 - Bom

Publicada a 06-11-2004 por Gonçalo Sá - http://gonn1000.blogspot.com