Cinecartaz

Joao Guerra

Into the Wild

Christopher McCandless foi um jovem americano que, como tantos outros, se revoltava contra o sistema no qual aparentemente estava inserido, mas nem por isso se sentia integrado. Aos 22 anos enceta uma jornada imprevis�vel pela Am�rica profunda, com o objectivo final de chegar ao Alasca. Impl�cita estava uma tentativa de descoberta de si pr�prio e do seu lugar no mundo. Saliente-se que o rapaz, com curso superior recentemente conclu�do, tinha todas as hipoteses de ingressar num qualquer emprego, tinha pais influentes, dinheiro e bens materiais. Al�m disso era tamb�m muito inteligente, e excelente aluno. Mas nenhum desses aspectos era realmente importante na sua vida. Na verdade a sua familia era completamente difuncional (como quase todas), e cedo se refugiou tamb�m na literatura (que a prop�sito, o acompanha sempre, at� ao �ltimo segundo), seguindo ideais de liberdade total, aliena��o face ao material, paz de espirito e felicidade absoluta e em sintonia com a natureza, valores que o norteavam na decis�o de, sozinho, mudar de vida e criar o seu pr�prio caminho. Este filme, que nos � contado em jeito biogr�fico, beneficia muito da pessoa que McCandless foi, um perfeito idiota, ou um idealista puro, fica ao crit�rio de quem v�. E o filme assim tamb�m poder� ser entendido, uma obra prima ou uma perfeita porcaria. Quanto a mim, penso que ficar� no meio termo. Na verdade o filme n�o � uma obra prima, como o gostam de pintar (apelando claramente aos Oscares). L� porque tem poesia, m�sica de Eddie Vedder, bons planos e boa fotografia, isso n�o faz de si um excelente filme. O filme tenta ser mais do que aquilo que �, mas apesar disso o enredo � interessante, e a interpreta��o do actor Emile Hirsch � bastante boa. J� a dos restantes actores (principalmente os pais), nem por isso, salvo algumas excep��es. Mas o que � realmente importante � o legado que Christopher McCandless nos deixou, e a reflex�o existencialista que a sua hist�ria convoca. No final, McCandless (que se auto-intitulava como Alexander Supertramp, com a rebeldia que o caracterizava) chegou a uma conclus�o angustiante (que deixo para quem vir o filme), por talvez ter ido longe demais.
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Publicada a 06-02-2008 por Joao Guerra