Cinecartaz

Cfernandes

A literatura e a m�sica aliadas numa outra forma de arte

N�o posso aceitar as cr�ticas viperinas � adapta��o do romance de Ian McEwan ao cinema. Quando vamos deixar de ser puristas e entender de uma vez por todas que cada arte � uma interpreta��o?
Joe Wright n�o faria nada de original se captasse sem mais os factos narrados pelo c�lebre romancista. Fez mais, fez muito mais.
Aliou a hist�ria ao ritmo, o enredo � m�sica, tecendo os factos num vaivem de expectativas excitantes.
Evidenciou o que do texto lhe sobressa�u, salpicando a trama com deliciosos laivos musicais. Esqueceu o conflito social, e depois?
Meus senhores, o cinema � outra forma de conceber a arte. N�o � mimese, � cria��o. Como tal, inspira-se num princ�pio, numa situa��o, num facto, numa outra produ��o, noutro suporte, mas o sublime surge no ponto em que consegue sair dela e desenvolver-se a si pr�prio autonomamente com as asas de outro suporte- a pel�cula.
O livro � melhor do que o filme? Pois bem a palavra tem o poder de dissecar, o ecran sintetiza a sugest�o.
Que bem apreendeu a literatura Joe Wright, mais uma vez!

Publicada a 03-02-2008 por Cfernandes