Cinecartaz

Ant�nio Merc�s

20 Anos Depois... Tudo na Mesma

� deveras interessante a "ponte" que se estabelece a dada altura na narrativa entre aquilo que foi a Guerra do Vietnam para os americanos e naquilo que se est� a tornar o Afenanist�o para os russos - ou seja, uma "esp�cie de Vietnam", que se constitui como o afundamento literal de capitais, maquinaria militar e, acima de tudo, recursos humanos. Por outro lado, e por ironia das circunst�ncias hist�ricas, o aliado americano Afeganist�o contra o comunismo sovi�tico em plena Guerra Fria torna-se, cerca de 20 anos volvidos, como o inimigo a abater. Numa clara "piscadela de olhos" ao discurso de George W. Bush acerca da necessidade de se combater o pseudo-denominado "Eixo do Mal", Mike Nichols exp�e de forma bem clara que as pol�ticas intervencionistas americanas no estrangeiro pouco ou nada se alteraram em termos de ideologia veiculada - "N�s estamos do lado do Bem, viemos para os ajudar"; "Estamos aqui para combater os maus e os p�rfidos"; "Confiem em n�s"; etc. Como se pode constatar, 20 anos volvidos a situa��o actual � um tanto ou quanto semelhante. A �nica diferen�a, e a� reside a verdadeira ironia e contradi��o (t�o caras � sociedade americana), � a de que o anterior aliado se constitui agora como o inimigo a combater. � certo e sabido de que os interesses se movem e alteram consoante as conveni�ncias...
Em termos gerais, "Jogos de Poder" constitui-se como um bom filme, onde se procura desvendar os "jogos de bastidores" que determinam o cen�rio da pol�tica internacional, com particular incid�ncia sobre a administra��o americana e o papel desempenhado pela mesma no contexto da Guerra do Afeganist�o.
H� igualmente a tentativa de se prestar tributo ao homem que, em teoria, esteve por detr�s de tudo isto - o pr�prio congressista Charles Wilson. Saliento e louvo o modo como a figura � retratada e apresentada - como o homem, o ser humano: com a sua aptid�o de mulherengo, apreciador do seu whisky, s�bio no modo como se movimenta e estabelece nas esferas do poder. N�o h� qualquer tentativa de se "criar um mito" a partir do protagonista. Apenas a pretens�o se contar uma hist�ria a partir de factos ver�dicos, que fazem parte da nossa Hist�ria recente.

Publicada a 17-01-2008 por Ant�nio Merc�s