Cinecartaz

Vitor Porto

A Vida É Bela

A Vida "é bela" - não há dúvidas.
E "A Vida É Bela" é encantador e, ao mesmo tempo, chocante. O filme choca, porque mostra, desde o início, uma série de coincidências impossíveis (tudo vai dando certo para o Guido - se jogasse na loteria levaria o prêmio, com certeza), "em contraponto" com a inocência de uma criança de 4 anos que é induzida a desacreditar dos fatos - e acaba por "receber" o prêmio maior por tal obediência (o tanque - ou "a vida", se preferirem). É observando com o olhar da realidade que essa sobrevivência se revela altamente improvável, como toda a fantasia "realizada" no roteiro.
A soma de "empatia" (com as personagens centrais), e de nosso "conhecimento" (presumido) das condições de sobrevivência em campos de concentração nazistas, é que nos vai deixar chocados - por termos, então, consciência de que os desfechos deveriam sido "bem outros" em uma situação real. Entendo como mérito do realizador podermos perceber essa situação - tenha sido esse o seu intuito, ou não: o filme não é só o "conto de fadas".
O Holocausto já foi contestado, sabemos; e "A Vida É Bela" nos coloca "bem dentro" dele.

Publicada a 29-12-2013 por Vitor Porto