Cinecartaz

RITA (http://cinerama.blogs.sapo.pt/)

Hard... very hard... to endure

DIE HARD
de Len Wiseman


Esqueçam a previsibilidade que várias temporadas da série “24” possam já ter incutido no vosso espírito, esqueçam o facto de haver americanos a falar com mercenários franceses e italianos e cada um usando o seu próprio idioma, esqueçam os buracos do argumento ou algumas deficiências de montagem, esqueçam a lamechice e os diálogos sem originalidade.

Concentrem-se no talento físico de Bruce Willis, na sua ironia, na sua capacidade sem limites – como bom ‘action hero’ que é – para resolver todas as questões logísticas que se lhe deparam. Concentrem-se em Justin Long (o Mac dos anúncios da Apple), cuja grande química com Willis tornou a sua contracena o ponto alto deste filme. E concentrem-se nos tremendos efeitos especiais.

Ainda assim, “Die Hard 4.0” consegue ser um filme aborrecido nas suas mais de duas horas e meia de duração.

Um grupo de terroristas informáticos, liderado por Thomas Gabriel (Timothy Olyphant) pretende derrubar os Estados Unidos, aproveitando o Dia da Independência para destruir as redes de computadores que controlam as redes de transportes, de telecomunicações, de energia e de serviços financeiros. Os mais importantes ‘hackers’ identificados pelo FBI foram assassinados, à excepção de Matt Farrell (Justin Long). O detective John McClane (Bruce Willis) é encarregue de ir buscar Farrell e levá-lo até Washington para ser interrogado. McClane acaba por salvar a vida de Farrell, que parece ser o único capaz de solucionar a derrocada da infra-estrutura informática do país (com o auxílio do refrescante ‘computer nerd’ interpretado por Kevin Smith, realizador de “Dogma”, “Clerks”).

Assim se inicia uma fuga / perseguição que compreende a destruição de diversos carros (um deles é inclusivamente atirado contra um helicóptero), a explosão de uns quantos edifícios, umas quantas mortes intencionadas, outras colaterais, algum kung-fu proporcionado por uma bela asiática, a luta de um camião com um viaduto periclitante e um rodeo em cima de um avião. Para os nossos heróis sobram apenas uns quantos tiros e arranhões.

A concentração de Len Wiseman (“Underworld”) limita-se à forma. E esta, por muito esmagadora e fantástica que seja, não consegue sustentar uma narrativa tão frágil.

Num Verão onde os prazeres parecem não estar isentos de culpa, “Die Hard 4.0” poderia ter sido um deles. Mas nem isso.


2/10

Publicada a 12-07-2007 por RITA (http://cinerama.blogs.sapo.pt/)