Cinecartaz

Ricardo Mendes de Oliveira

A Rainha

Dia 30, Agosto de 1997. Diana morre tragicamente num acidente de automóvel em Paris. É com este trágico acontecimento que tem início um dos mais difíceis momentos na história do reinado de Isabel II mas, também, e muito em particular, na história recente da própria monarquia britânica como a conhecemos. São os bastidores deste trágico acontecimento (na semana que se seguiu à morte de Diana), no seio da Casa Real, que “A Rainha”, de Stephen Frears (“Dangerous Liaisons”, “Mrs Henderson Presents”), vem mostrar, de um modo extremamente inteligente e imaginativo.

O filme centra-se, sobretudo, na reacção (ou melhor, na ausência de reacção) por parte da família real à morte de Diana, contrapondo uma mulher firme e determinada nas suas mais profundas convicções e princípios, Isabel II (Helen Mirren), encarando a situação como um assunto exclusivamente do foro privado, às exigências que então as trágicas circunstâncias lhe impunham: as de reagir oficial e publicamente – perante a indignação generalizada e inflamada dos seus súbditos – à morte daquela que ficou, então, conhecida como “A Princesa do Povo”. Tony Blair (Michael Sheen), o então recentemente eleito primeiro-ministro trabalhista, faz a ponte entre os anseios do povo e a firmeza das posições de Isabel II, acabando por vestir o papel de conselheiro da própria rainha, da qual consegue, progressivamente, obter algumas concessões, até à tão ansiada reacção oficial da Casa Real.

Nomeado para sete Óscares da Academia (incluindo o de Melhor Filme, Melhor Actriz e Melhor Realizador), “A Rainha” conta com a interpretação brilhante que Helen Mirren (como sempre, fantástica) faz de Isabel II (que só por si justifica ver o filme), fazendo absoluta justiça à sua nomeação para o Óscar de Melhor Actriz, ao qual se apresenta como favorita, tendo sido já reconhecida com o Globo de Ouro para Melhor Actriz Dramática.

Publicada a 02-02-2007 por Ricardo Mendes de Oliveira