Cinecartaz

MateusMendonça

Much ado about...

Utilizando uma palavra inglesa, o "fuss" (barulho, confusão) feito à volta deste filme era tanto que a minha expectativa era bastante alta. Os encómios à muito venerada e celebrada interpretação de Philipp Seymour Hoffman constituiam-se também como mais uma razão para ir ver o filme. Ao sair do cinema, senti que era tudo, como diria Shakespeare, "Much Ado about (almost) Nothing". É certo que a interpretação de Hoffman é muito boa (e não magnífica), mas acaba por cansar ao fim de algum tempo. Os actores secundários acabam por ser completamente abafados e a concentração de todo o peso do filme apenas na figura de Capote retira linearidade à narrativa que perde muitas vezes um fio condutor que nos leve a perceber o porquê dos crimes.

É verdade que se poderá dizer que o objectivo do realizador terá sido analisar a dicotomia entre a ambição desmedida de Capote e o seu complexo de culpa pelo aproveitamento que fez dos crimes em benefício próprio, mas o que acaba por acontecer é que em determinados momentos parece que o filme perde um pouco o seu rumo. Pessoalmente, não me parece que seja um filme merecedor de nomeação para melhor do ano numa corrida aos Óscares, mas isso á apenas a minha opinião. Nota final: 6 em 10.

Publicada a 05-03-2006 por MateusMendonça