Cinecartaz

Nazaré

Sentido de sobrevivência, uma saga produtiva - CONTÉM SPOILERS

O tema não muda em relação ao primeiro filme da série: um grupo de pessoas foram raptadas e acordam numa casa preparada para pôr à prova o seu instinto de sobrevivência. Sabem que ao fim de duas horas morrerão intoxicadas por gás Sarin, a não ser que encontrem um antídoto que lhes permita sobreviverem até que as portas da armadilha se abram para ficarem livres. Repetidamente lhes é dito que entre eles existe a solução para se salvarem, mas é precisamente para provar que nunca serão capazes de se juntarem, para a alcançar, que ali estão. E os comportamentos suicidas vão trazendo os mais variados desfechos para as "cobaias", não esquecendo um determinado membro da autoridade (bom desempenho de Donnie Wahlberg), atraído para a armadilha mais pela culpa do que pelo dever.

A revisita, na fase apoteótica, ao mesmo cenário do filme "Saw", que iniciou a saga, onde não falta o uso da serra num duelo David-Golias, é uma ideia excelente. E o facto de todos serem levados a pensar que a salvação está numa seringa é uma alegoria muito interessante. Tecnicamente o filme é bastante bem feito, e se há defeito a apontar é mesmo a cena inicial, irrelevante (nem sequer para fazer a ligação com o primeiro filme da série) e até ineficaz.

"Saw" é uma série de terror cheia de originalidade e sustentada em grandes dotes de imaginação (num dos poucos elos de ligação entre os dois filmes, temos o segundo autor dos argumentos, Leigh Whannell). Este segundo filme deixa no final adivinhar "Saw III", e quem sabe se mais. Pelos vistos, justificadamente. Esse final, se bem que surpreendente, não é forçado: afinal, não é evidente ao longo do filme que uma das "cobaias" já tinha tomado o antídoto antes de tudo começar?

Publicada a 25-02-2006 por Nazaré