Cinecartaz

Tiago Santos

Sem pecado, não tinha piada alguma

Não sei até que ponto se poderão misturar as coisas e os formatos: BD e cinema... mas já que foi notório a invocação (quer no após, quer na execução do filme, com recurso à "preciosa" ajuda de Frank Miller na realização) penso que as duas têm forçosamente que ser indissociáveis. E é a partir deste ponto que "Sin City" tem que ser admirado: as personagens são "vazias"? São... não têm passado... são aquilo e naquele momento. Mas, por que raio é criticável o facto de não sabermos tudo sobre uma determinada personagem? Saber o que comem ao pequeno almoço, o que fizeram no seu décimo aniversário, que filmes gostam de ver? Se vêm a quinta das celebridades?

Não interessa para nada! Ali, na Cidade do Pecado, só é preciso saber que são violentas, brutais, pecaminosas, sensuais e sim, sempre com uma moral qualquer (por mais banal que seja, é bom que esteja lá) a acompanhar. As personagens usam clichés, tanto de postura como linguísticos? Usam. Mas recordo que este filme é a melhor adaptação de BD para cinema e quando vemos o que é suposto ser um "quadradinho" que definirá toda uma acção ou expressão, percebe-se a tendência para estes tiques hollywoodescos de, por exemplo, olhar para o vazio com o pescoço para o lado, com as sobrancelhas carregadas e ar durão, enquanto chove e o vento abana os cabelos de uma forma dramática.

Se juntarmos a isto uma história 3 em 1 muito coerente e original, um aspecto visual deslumbrante e um Mickey Rourke no seu absoluto melhor, temos aqui um dos filmes do ano - e de, provavelmente, muitos anos.

Publicada a 23-06-2005 por Tiago Santos