Cinecartaz

Helder

Muito bom - 4 estrelas

Eu tenho lido certas criticas. Umas dão para rir e outras para chorar! Este filme não pretende ser como os outros e só por isso merece pelo menos duas estrelas. Quantos filmes policiais ainda surpreendem? Quantos filmes românticos ainda nos fazem abraçar a namorada e ficar a vê-la ao nosso lado? Quantos filmes de terror ainda assustam? Quantas comédias ainda fazem rir? Poucos, não é? Já quase tudo se fez. Se não morre a mãe, morre o pai e o filho sofre o mesmo e o espectador fica com uma grande sensação de que já tinha visto aquilo em qualquer lado. "Sin City" apresenta uma nova abordagem quer em termos estéticos quer em termos literários, inovando o cinema.

As personagens são ocas? São, isso é inegável, aqui não há grandes divagações psicológicas, nem justificações para muitos comportamentos, mas avaliem as coisas através deste prisma: este filme tem 18 personagens para duas horas, as novelas têm cerca de 25 para 130 horas. Muitos poderão dizer, eles que reduzissem o número de personagens, apresentassem duas histórias em vez de três ou uma. Poderiam abordar mais as personagens, mas perdiam em dois aspectos: se fosse só uma história, iriam tantas pessoas ao cinema? Teriam eles dinheiro para fazer o 2 (2007) e o 3(2008)? Estaria o Bruce Willis disponível para um filme de duas horas completamente focado nele? Quanto pediria pelo filme? E filmar sobre fundo azul, não deverá sair muito barato, nem será fácil.

Segundo aspecto, este muito mais importante: se eu me colocasse na saída de um cinema e perguntasse aos espectadores os sentimentos que abordava o filme, qual seria a resposta? Noutros filmes, para uns era uma coisa, para outros era outra. Em "Sin City", é obvio: amor, ódio, vingança, justiça, obssessão, redenção, porque Sin City é uma cidade extrema e no extremo, o ser humano é o ser mais primário de todos os seres e deixa-se levar pelos mais primários dos sentimentos. Apenas mais um pormenor: Sin City é uma cidade, não uma personagem. Não quererá o filme apresentar a cidade e não as personagens?

Publicada a 28-06-2005 por Helder