Cinecartaz

Sandra PInho

Um longo filme que sabe a pouco

Acabei de regressar de assistir a "O Aviador" e possuo uma certa sensação de desconsolo, como quando comemos qualquer coisa que não é bem o que esperamos. Devo salientar que não foram as 11 nomeações que me criaram expectativas (aliás, nunca consegui ver o "Titanic" até ao fim e saí da sala de cinema ainda não estava a meio), mas antes os nomes Martin Scorsese e Howard Hughes. No entanto, após cerca de três horas pensei para comigo: "já acabou?" E este já acabou foi a tradução semântica do meu pensamento: tanto tempo passou e parece que não se contou nada. O filme retrata apenas um bocadinho da vida de Hughes e, como diz um comentador do "Público", tenta explicá-lo e, muitas vezes, justificá-lo. Não é uma história de uma personagem, com princípio, meio e fim. Parece que não tem argumento. Será para vender "O Aviador 2"?


Não obstante, nem tudo é negativo no filme. Devo referir que as partes mais "interessantes" são as que retratam as sessões públicas a que Hughes teve de se sujeitar. Argumentação ordenada, incisiva e mesmo inteligente. A melhor maneira de se sair "quando se está entre a espada e a parede" é atacar. E neste caso correu bem. Por outro lado, o filme tem excelentes imagem, som e cenários. Saliento o décor do "magnífico" escritório do presidente da Pan America (espero que seja um espelho fiel da realidade porque traduz a mentalidade dos "americanos patrióticos" da década de 40) e o bar/restaurante que Hughes costumava frequentar. DiCaprio, por sua vez, é convincente como "puto mimado", mas não como "adulto maníaco, depressivo e alucinado". Por fim, Cate Blanchett está excelente como Hepburn e é, na minha opinião, o melhor do filme.

Em suma, não é um grande filme mas vale a pena ir ver... nem que seja para contestar a já apregoada muito provável atribuição da estatueta dourada a DiCaprio.

Publicada a 13-02-2005 por Sandra PInho