Cinecartaz

Rui Felicio

Um conto por Scorsese

Quinta nomeação de Scorsese na sua mais rebelde categoria. Traz-nos, a tempo dos média e consequente Gala se lembrarem irrefugiavelmente, uma parte da biografia do bilionário Howard Hughes, com todo o épico que lhe foi possível dar. E subjectivismo. É que a personagem central reveste-se de tudo o que sempre fascinou e alienou plateias e multidões: esperteza, sagacidade, vulnerabilidade e doença. O filme desenrola-se num tom nunca monótono e que prende por pequenos momentos, assim como pela ansiedade de ver uma falha na realização, o que nao acontece. Acontecem surpresas, como a familiaridade de Wainwright em "Cocoanut Grove" ou a pose da super-loura Gwen Stefani ao lado de DiCaprio na estreia de "Hell´s Angels", não deixando de ser ambas, ao mesmo tempo, marcas registadas de Scorsese.

Este é mais um filme dedicado à História da América, e como tal poderá ter menos interesse para estes lados, mas a escolha de DiCaprio para extravazar Hughes reveste-se de inteligência dada a puerilidade do actor, que apesar de nos dar bons momentos na tela, nunca esconde fraquezas intrínsecas a Hughes. Oito em dez. Será desta, Sr. Scorsese?

Publicada a 07-02-2005 por Rui Felicio