Cinecartaz

Sónia Oliveira

Tão bom, mas tão bom!

Ao ler a crítica dos vossos críticos - que tanto percebem de cinema -, interrogo-me se realmente eu é que não consigo, ou sei, ver, apreciar, e assimilar tudo o que este filme nos dá. Se disser que é o um dos melhores filmes que vi na minha vida - e eu vejo muito cinema -, que o considero uma obra-prima (como aliás o são as películas de Amenábar) e que ainda acho que o Javier poderia ter ganho o Óscar de melhor Actor, bem como o Amenábar o de Melhor Realizador (apesar de considerar que foi muito bem entregue ao Clint e ao seu "Million Dollar Baby"), como já tive oportunidade de dizer aqui, não estarei a exagerar. Este filme é uma coisa! Ao vermos o modo como Amenábar constrói a realidade de Ramón, "tão cheio de vida", pensamos nós, a sensação que temos é a de nos sentirmos imóveis. Tão imóveis, que eu cheirei o mar quando ele voou, arranhei-me nos pinheiros quando os rasou e arrepiei-me com o vento quando ele saltou.

A banda sonora é a melhor possível, só mesmo aquela música e aquele ser para me fazer planar, estando eu na plena capacidade dos meus membros - felizmente. Dou a este filme cinco estrelas e não duas, e cada uma é distribuída igualmente pelo realizador, pelo argumento - real ( e isso ainda nos incomoda e envergonha mais), pelos actores, e pela banda sonora. Sair daquele filme custou-me tanto como pensar no pesadelo da eutanásia. E quanto a isso quase não posso dizer que fiquei na mesma. Mas, lá está, só passando por lá. Lamento por o mundo ter perdido uma pessoa superior como Ramón, mas a lição de vida que nos deixou talvez me ajude a poder clarificar melhor a opinião sempre duvidosa de quem está de fora. A ele e a Amenábar o meu bem hajam.

Publicada a 15-03-2005 por Sónia Oliveira