Cinecartaz

Joana Martins

Que ninguém o perca

Vou ficar para sempre nostálgica; sempre que me recorde da noite em que o vi. É um filme lindo, muito duro, sobre a morte e o seu sentido. Ri e chorei pela sua simplicidade. No momento em que acabou, fui chamada de novo à realidade, tinha de acordar do embalo deste filme maravilhoso; no entanto, logo percebi que não havia forma de acordar, fui tocada pelo sentido de choque e emoção e não me era possível desligar dos sentimentos que preenchiam a minha concepção do mundo. No fundo, é tudo muito simples e concreto. A morte e a vida existem ligadas de forma intrínseca e nada existe de mágico em todo o processo. Mas este filme é fenomenal pela forma como o sentimos e nos envolvemos, qualquer um de nós podia estar ali, naquela cama, ou á volta dela... O elenco, maioritariamente desconhecido, merece os mais fortes aplausos pela sua prestação, pois a mensagem passou e foi aborvida em cada um de nós.

Gostaria de deixar aqui o meu desânimo pela falta de qualidade e profundidade dos críticos do "Público". Penso que se o seu bom nome aparece associado á crítica de um filme como este (tome ela a vertente que tomar), deve no mínimo respeitar a qualidade e o esforço de um trabalho fascinante, que resulta na película "Mar Adentro". Tenho a acrescentar que lamento que o Sr. Luís Miguel Oliveira não seja provido de sentidos suficientes que o libertem e lhe dêm asas para se elevar do chão, diariamente (fenómeno que classifica como "pindérico" ). Essa grande responsabilidade que é ser crítico para um jornal como o "Público" deve pelo menos tomar atenção aos filme e não chegar aqui e rabiscar uma qualquer crítica pobre sem pretenção de construtividade. Lamento de igual modo que as suas actividades diárias o tenham deixado tão absorvido que não tenha conseguido libertar-se das "ligaduras apertadas" sobre as quais analisa, observa e julga um filme a que quase não assistiu... pois se tivesse assistido a um filme como "Mar Adentro" sem essa máscara que o proteje, o mais provável era dar valor e sentido ao seu corpo e capacidades motoras que lhe regem, mal ou bem, a vida que leva.

Lamento a falta de abertuda de espírito e frieza que envolve o Sr. Luís Miguel Oliveira e envio-lhe um grande abraço (para ver se o aquece e descobre que afinal o Sr. deve sentir tanto o seu corpo e alma como Ramón Sampedro)! As melhoras por críticas mais consistentes. Que ninguém o perca na grande tela : "Mar Adentro".

Publicada a 05-03-2005 por Joana Martins