Cinecartaz

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Bem-vindo a Lisboa!

Bem-vindos a um mundo novo. Um mundo que nenhum português sonhava, nem há dez anos, que pudesse vir a existir. E um mundo que, sito nos interstícios do nosso, nos é tão distante e desconhecido como os abismos do oceano: o dos imigrantes, com "i", que fazem (literalmente) a nova Lisboa. Transmitindo a beleza (as sequências do retábulo, do parto, da praia e dos repuxos...) e a dureza deste mundo, "Lisboetas" evita a tentação da reportagem e diverte, entristece, anima e faz pensar, como deve fazer o melhor cinema. Condenado a ser superficial, por muito que se demore com as personagens (pois cada uma delas dava um filme), "Lisboetas" (ou serão os novos lisboetas?) evita sempre a pieguice, salvo na música, o inevitável piano solitário cujo mero trinar solitário nos é suposto deprimir.

Outra limitação (ou será a realidade?) é a ausência dos portugueses, salvo no papel de burocratas invisíveis e de patos-bravos (que fabulosa criatura, aquela, por todos conhecida, mas que nenhum dos nossos argumentistas e actores alguma vez conseguirá reproduzir). Em suma, por uma vez, o dinheiro dos meus impostos não contribuiu para colossos de incompetência ou pretensão, mas para um belo filme que, efectivamente, acrescentou alguma coisa ao Cinema e a Portugal.

Publicada a 26-04-2006 por jpt