Estúdios: El Deseo S.A. ESP, 2004, Cores, 105 min.
Recomendado
pelo Cinecartaz
argumento
É a história de dois rapazes, Ignacio e Enrique, em duas épocas diferentes: a Espanha franquista dos anos 60 e a Espanha livre da "movida" dos anos 80. Os dois rapazes conhecem o amor, o cinema e o medo num colégio religioso. O padre Manolo, director do colégio e professor de literatura, é testemunha e faz parte de alguns destes acontecimentos. O amor entre os dois rapazes vai ser interrompido, mas os três voltam a encontrar-se mais duas vezes. Uma delas será nos anos 80, quando Ignacio, agora jovem actor que sonha ser estrela, aparece no escritório de Enrique, agora cineasta, com um guião que conta a história de ambos. Esses reencontros marcam a vida e morte dos três personagens. "Má Educação" é o novo filme de Pedro Almodóvar e foi o filme de abertura do Festival de Cannes de 2004. PUBLICO.PT
Há padres pedófilos, cineastas, travestis, assassinos, mas é falsear tudo querer distinguir vítimas de carrascos. Todos eles, num momento ou noutro, estão de um lado ou de outro, entregues à paixão - isso une-os. Em "La Mala Educación" todos (quase todos, sem abrir demasiado o jogo...) têm um olhar que pode denunciar culpa, mas onde ganha com vantagem (e produzindo efeitos nefastos) a lei do desejo.
Depois da perfeição de "Tudo Sobre a Minha Mãe" (1999), muitos se interrogaram sobre que caminho tomaria a obra de Pedro Almodóvar, por onde poderia ele escapar á repetição e à fórmula, ainda que genialmente exposta. "Fala com Ela" (2002) respondeu apenas parcialmente às magnas questões: o cineasta aparecia em fuga para a frente, com o filme dentro do filme, numa reflexão sobre a morte, o "amour fou" e a ressurreição, que se esgotava no próprio projecto.
O realizador era um bom realizador. Fui ver o filme e, infelizmente, achei extremamente violentas algumas das cenas. Não era necessário ser tão explícito para dar a ideia de romance homossexual. Não concordo com a classificação do filme (M16). Deveria ser M18 com aviso de conteúdos pornográficos. Assim escusava de ter pago o bilhete e de sair a meio do filme. Se o Almodóvar pretendia realizar porno homossexual, não deveria utilizar a fama ganha noutros filmes de qualidade para o fazer. E não deveria ter colocado crianças a fazer cenas daquelas. Saí do cinema enojado, desapontado e indignado. Não considerem isto ser intolerante relativamente à homossexualidade. Tolerar não significa gostar ou...